Mulheres negras e desigualdade em São Paulo

Recentemente uma pesquisa da Rede Nossa São Paulo mostrou que a desigualdade atinge mais as mulheres negras na cidade de São Paulo.

Nada que todos que militamos no terceiro setor não saibamos e não lutemos contra há anos.

Como as mulheres negras são menos favorecidas financeiramente falando, pois já são vitimizadas por salários menores que os das mulheres brancas, vivem na periferia de São Paulo e com pouco ou nenhum acesso aos principais equipamentos públicos da cidade, a desigualdade é cada vez maior.

A desigualdade mais gritante é na área da saúde, inclusive impactando na maior taxa de gravidez entre as adolescentes negras.

As politicas públicas de saúde, já de per si gritantemente ineficazes, fazem com que as mulheres negras sejam as maiores vitimas.

 

Falta de medicina básica, de prevenção de doenças, de cursos, de palestras … falta de unidades básicas de saúde, de atendimento medico ambulatorial, de hospitais para internação eletiva e até emergencial.

 

A lista do que falta é tão extensa que sequem temos coragem de enumerar.

As mulheres negras deveriam ser o foco de todas as políticas públicas, dada a sua alta vulnerabilidade.

Não é o que acontece aqui na Terra Brasilis.

Infelizmente, há uma dinâmica perversa no setor público que joga esse problema de um lado para o outro, responsabilizando quem quer que seja dentro da estrutura de assistência social dos governos, com o fim de desconstruir conquistas já obtidas.

Nada vem sendo feito de fato para diminuir a desigualdade, e os reflexos disso, apesar de já terem sido sentidos no presente, serão mais cruéis ainda no futuro.

O que esperar do futuro de uma adolescente negra, em situação de risco, grávida, sem acesso à saúde publica, ao ensino, à segurança?

O que exatamente nossos governantes esperam para abrir os olhos e entender que o dinheiro publico bem investido em políticas que minimizem a fragilização desse estamento da sociedade só pode ser benéfico, agora e no futuro ?

É necessário que a sociedade civil se organize cada vez mais, e que pressione fortemente nossos gestores para que estes cumpram o que a nossa Constituição preconiza, em especial quanto aos direitos individuais de TODOS os participantes de nossa sociedade, mas sempre com o foco em mitigar os problemas que as porções menos favorecidas da sociedade estão sofrendo.

É óbvio que dezenas de anos de descaso das políticas públicas com o assunto, aliados à opressão de raça endêmica contra as minorias mais fragilizadas da sociedade brasileira por parte das elites, deram seus frutos perversos.

Trata-se de corrigir erros históricos e cruéis, em não perpetuar modelos ultrapassados, patriarcalistas e elitistas que tanto mal fizeram e fazem ao Brasil.

E nesse eixo de trabalho, o foco principal é a mulher negra, que foi historicamente explorada desde o Brasil Império e que agora busca o empoderamento consciente e sereno, com o fim de ocupar o seu lugar na história.

Cabe a todos nós na sociedade brasileira buscar maneiras de corrigir esta desigualdade.

Seja por atuação direta ou indireta, por voluntariado ou simplesmente pressionando nossos representantes no governo, é momento de dar um basta e mudar esse estado de coisas;

Pelo bem de nossos filhos e filhas que vão herdar nosso legado – ou não.